Lançamento do livro “Safira e a Luta Contra o Cancro”

Quase 8 meses após a história da Safira ter sido tornada pública através do artigo da VISÃO e da Grande Reportagem da SIC, é agora na forma de um livro que a reflexão sobre as suas implicações tem lugar. As palavras nele vertidas são de autoria da jornalista Patrícia Fonseca, responsável pelo trabalho agora premiado da VISÃO. Com o livro pretende-se manter acesa a possibilidade de se discutirem as ideias e as implicações que esta experiência transporta em si. A legitimidade de se impor um tratamento contra a vontade dos pais, a pluralidade de escolhas terapêuticas, a mediação legal de contraditórios na decisão médica, o valor do consentimento informado, os modelos de relação médico-paciente, o papel da cidadania ativa nas escolhas médicas, o valor da democracia e da liberdade de escolha, são apenas algumas das questões que ficam por debater perante um antecedente único como o foi este caso. Perante um documento destes, a indiferença não deveria  poder existir e as respetivas consequências éticas, sociais, legais devem ter lugar. Uma sociedade plural e democrática deve desconfiar de discursos monolíticos a absolutistas. O seu progresso tem sido representado historicamente por um afastamento de modelos unilaterais e dogmáticos para outros mais plurais e tolerantes. Esta história assinala as fragilidades de um sistema ainda incapaz de expressar plenamente os valores fundamentais de liberdade em que assenta. A escolha é uma assinatura inegociável de uma cultura de democracia participativa e raciocínio crítico. A esperança dos envolvidos neste Projeto é poderem contribuir para uma realidade social mais atenta aos seus valores fundamentais e onde o cidadão é convidado a participar das decisões coletivas e individuais nas quais está envolvido, pois afinal disso se trata a democracia. E a democracia deve ser um bem transversal e omnipresente, sem locais onde possa cessar ou colapsar. Uma Instituição médica tem a responsabilidade de manter não só a saúde física dos indivíduos mas também a saúde ética das sociedades. Deve por isso ser aquela que mais zela pela integridade moral dos cidadãos, investindo nestes o poder de decidirem e co-responsabilizarem-se pelo seu processo de saúde. Um consultório não deveria ser um espaço onde os princípios democráticos colapsassem mas pelo contrário aquele onde fossem ampliados e dignificados, em nome da boa saúde física e moral de todos os cidadãos.

Na página online da VISÃO:

http://visao.sapo.pt/safira-e-a-luta-contra-o-cancro=f670772

Dois capítulos do livro:

SAFIRA

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