Legumes biológicos podem ter mais benefícios para a saúde

Os vegetais são uma autêntica farmácia de substâncias com inúmeras propriedades medicinais. Nas últimas décadas têm-se feito vários avanços na ciência da nutrição ao identificar uma nova classe de micronutrientes aos quais se deu o nome de fitoquímicos. Estas moléculas são produzidas pelas plantas para se protegerem das agressões externas, tais como a radiação, as bactérias, os fungos e os predadores. Sem valor nutricional, os fitoquímicos têm revelado em diversos estudos inúmeras propriedades capazes de interferir positivamente com os mecanismos biológicos do organismo assim como com os mecanismos de doenças como o cancro. Depois da descoberta das vitaminas e dos minerais para a saúde nos anos 30, a descoberta destes compostos representa um dos maiores avanços na compreensão da ação funcional dos alimentos na nossa saúde.

O facto destas moléculas serem produzidas pelas plantas com o objetivo de contrariar e reduzir o stress ambiental leva a que necessariamente aqueles vegetais produzidos em condições de maior exposição a esses fatores produzam uma maior concentração de fitoquímicos de forma a sobreviverem nesse meio. Daí que a agricultura biológica possa estar associada a uma produção de legumes com uma maior concentração desses componentes.

Um estudo recente, desenvolvido na Universidade de Barcelona vem confirmar exatamente esta ideia, no qual foi demonstrado que tomates produzidos pela agricultura biológica apresentam níveis superiores de polifenóis do que os de agricultura convencional. Os polifenóis são considerados de grande interesse pelo facto do seu consumo estar associado a um risco reduzido de doenças cardiovasculares, degenerativas e alguns tipos de cancro. A autora do estudo, Anna Queralt, explica que “no caso da agricultura biológica não se utiliza adubo nitrogenado, o que significa que as plantas tenham de criar os seus próprios mecanismo de defesa e deste modo aumentem os antioxidantes. A professora Rosa Lamuela conclui dizendo que “a planta, quanto mais stress tiver, mais polifenóis gera”.

Neste estudo foi avaliada a concentração de fitoquímicos em tomates biológicos. Estes legumes são ricos em carotenóides, tal como o licopeno, responsável pela sua cor vermelha. Esta substância apresenta várias propriedades anticancerígenas sendo um poderoso antiangiogénico (inibição da vascularização do tumor) através da inibição do fator de crescimento PDGF (responsável por ativar a geração de novos vasos sanguíneos). Em estudos animais, o licopeno inibe o desenvolvimento dos cancros da mama, fígado, colon, próstata, além de suprimir as metástases. O Estudo em Profissionais de Saúde (Health Professionals Follow-Up Study), desenvolvido pela Harvard Medical School, no qual foram seguidos 51000 homens, mostrou que a população que consumiu mais licopeno apresentou uma redução de 15% no risco de desenvolver cancro da próstata quando comparada com homens com um menor consumo. Esta molécula torna-se mais biodisponível quando cozinhada, utilizando um pouco de gordura. Nesse mesmo estudo, aqueles homens que consumiram mais do que duas porções semanais de pasta de tomate apresentaram 23% menor risco de cancro da próstata quando comparados com aqueles que consumiam menos de uma porção por mês.

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