A obesidade é um fator de risco para vários cancros

Não deveria ser necessário um grande exercício de lógica para percebermos que a alimentação é central para a saúde humana. Enquanto permanecermos enquanto sociedade quase que voluntariamente divorciados deste facto, teremos pouco progresso no combate às doenças crónicas que mais matam hoje em dia. Cancro, doenças cardiovasculares e diabetes, todas estão relacionadas com fatores de risco em grande parte relacionados com a dieta. De facto, estas doenças estão intimamente relacionadas, formando entre si o que poderia ser chamado de uma “tríade de doenças“. Alguns fatores de risco partilhados entre si são: obesidade, inflamação e resistência à insulina. Estes fatores funcionam como verdadeiros precursores de cancro, fornecendo as condições orgânicas necessárias para que a doença se manifeste e desenvolva. A insulina e a inflamação dependem da dieta, dos alimentos que ingerimos, para se fixarem em níveis seguros.

A dieta padrão ocidental é hoje um autêntico festim para os inúmeros desequilíbrios metabólicos geradores de doença. Um dos sinais alarmantes para este facto são os crescentes números de obesidade que se observam nos países ocidentais. Dos EUA são exportados os principais (maus) exemplos de estilo de vida, os quais chegam ao resto do mundo com um glamour que não acompanha a dureza real dos factos. E o facto é que esta forma de levar a vida e de comer como se o amanhã não chegasse produziu uma sociedade na qual dois terços dos habitantes têm excesso de peso ou são obesos. E o cenário gordo começa na infância. Não seria isto preocupante se tal condição não fosse origem de problemas graves de saúde. Estudos mostram por exemplo que doenças cardiovasculares que se manifestam em adultos, têm a sua origem em grande parte a lesões na função cardíaca em idades muito iniciais. Ou seja, tudo o que comemos mais tarde ou mais cedo terá consequências.

No que diz respeito à obesidade sabemos atualmente que pelo menos 20% de cancros na mulher e 14% no homem estão relacionados com a obesidade. A obesidade é responsável por 28% de todos os casos de cancro do pâncreas e 49% dos cancros do endométrio na mulher. Os mecanismos pelos quais o excesso de gordura corporal promove o cancro não são inteiramente conhecidos mas conhecem-se já alguns. Contrariamente ao que se poderia pensar, as células adiposas compõe um tecido que está longe de ser inerte. Na realidade, comporta-se como um tecido vivo, produzindo uma série de hormonas com implicações significativas no metabolismo. Estimulam a secreção de insulina ao aumentar os níveis de açucar no sangue. Quando em excesso a insulina promove a proliferação das células, nomeadamente as de cancro. Além disso, esse aumento dos níveis de insulina no sague é acompanhado pela produção de uma outra hormona produzida no fígado, a IGF-1, que é também um poderoso fator de promoção de crescimento do cancro. As hormonas sexuais são também estimuladas a níveis superiores por estas células adiposas, o que por si representa um risco acrescido em cancros hormono-dependentes. A isto tudo acrescenta-se o facto de aumentarem os níveis de inflamação no organismo, outra das condições necessárias ao cancro. O microambiente orgânico torna-se assim o mais favorável possível ao desenvolvimento de doenças crónicas graves.

Uma dieta rica em alimentos de origem vegetal, tais como as crucíferas, leguminosas, sementes e nozes, não só contribui para um peso saudável como fornece ao organismo moléculas com propriedades anticancerígenas naturalmente presentes nesses alimentos. A combinação de uma dieta hiper-calórica com uma deficiência no consumo de substâncias quimioprotetoras permite às células de cancro desenvolverem-se sem obstáculo. Se olharmos estas células como sementes dependentes de condições favoráeis no ambiente para se desenvolverem, então a nossa dieta e estilo de vida atual representa o melhor fertilizante que lhes poderíamos dar. Queremos um jardim vivo e colorido de plantas e flores viçosas ou um terreno baldio dominado e consumido de ervas daninhas?

Algumas das questões relacionadas com o problema da obesidade pode ser visto online no documentário “The Weight of the Nation” (O Peso da Nação):

Referências:

http://theweightofthenation.hbo.com/films

http://preventcancer.aicr.org/site/News2?page=NewsArticle&id=21687&news_iv_ctrl=2302

http://blog.aicr.org/2012/03/29/obesity-cancer-addressing-the-knowledge-gap/

http://blog.aicr.org/2012/08/02/cancer-diabetes-and-heart-disease-a-paradigm-shift/

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