Chá verde eficaz no combate ao cancro

Segundo a lenda chinesa, a descoberta do chá remonta a 5000 a.C., quando o Imperador Sheng Nong, que fervia água para a purificar, viu algumas folhas levantadas pelo vento tombarem nessa água fervente. Intrigado pela cor e pelo aroma exótico que se desprendia, decidiu provar e ficou espantado por descobrir uma bebida ao mesmo tempo rica em aromas e com numerosas virtudes. O chá é fabricado a partir de pequenos rebentos do arbusto Camillia Sinensis, uma planta tropical, provavelmente originária da Índia. Os três principais tipos de chá, sejam verde, preto ou Oolong são fabricados a partir das folhas desta planta. O que os torna distintos, tanto nas suas características como nas suas propriedades, passa pelo processo utilizado para obter as folhas depois de secas. A fabricação do chá preto consiste na fermentação das folhas, o que diminui drasticamente a concentração dos benéficos polifenóis presentes nesta planta. Por sofrer uma menor transformação na sua fabricação, o chá verde preserva mais as suas propriedades anticancerígenas.

O chá é uma bebida complexa, constituída por centenas de moléculas diferentes. As folhas de chá verde são ricas num certo tipo de polifenóis, as catequinas, sendo estas as grandes responsáveis pelo potencial anticancerígeno do chá verde. A catequina que tem mostrado maior potencial pelas suas propriedades quimiopreventivas é conhecida pelo nome de EGCG ou epigalocatequina-3-galate, muito abundante no chá verde. Existem no entanto vários tipos de chá verde diferentes com níveis de concentração desta catequina diferentes também. Os de origem japonesa (tais como os Sencha ou Gyokuro) são os que apresentam uma concentração superior.

Vários estudos epidemiológicos têm mostrado um efeito preventivo em vários cancros do consumo de chá verde. Tem mostrado propriedades anticancerígenas em cancros como o da mama, o da próstata, da bexiga, entre outros. Um estudo sugere que o consumo de chá verde está associado a um melhor prognóstico em mulheres com cancro da mama de estágio I e II. Outro estudo de caso-controlo desenvolvido na Clínica Mayo em doentes de leucemia, mostrou evidência de benefícios clínicos na utilização de extrato de chá verde. Em modelos xenográficos, os polifenóis do chá verde mostraram inibir o crescimento do tumor e suprimir metástases, assim como reduzir a formação de vasos sanguíneos no cancro da mama de recetor negativo. Além disso vários estudos têm mostrado que a EGCG aumenta a eficácia de certos medicamentos para o tratamento do cancro. Alguns estudos clínicos estão neste momento em curso para avaliar a sua eficácia quando tomado isoladamente ou em conjunto com outros medicamentos.

Um dos mecanismos que pode ser responsável pelas propriedades anticancerígenas da EGCG poderá ser o seu poderoso efeitos antiangiogénico. Alguns investigadores afirmam que de todas as moléculas de origem nutritiva conhecidas atualmente, a catequina EGCG parece ser a mais potente a bloquear a atividade do recetor VEGF, um elemento chave na inibição da angiogénese (formação de vasos sanguíneos). Esta inibição é muito rápida pelo que se poderá obter um efeito quimiopreventivo bebendo algumas chávenas de chá verde por dia.

Mais recentemente, um estudo desenvolvido pela Universidade de Strathclyde confirma as propriedades do chá verde no combate ao cancro. Investigadores desta universidade desenvolveram um forma de fazer chegar a EGCG ao tumor, o que parece aumentar a eficácia das suas propriedades. Cerca de dois terços dos tumores tratados desta maneira ou diminuíram ou desapareceram depois de um mês de tratamento, não existindo efeitos colaterais associados. Em dois tipos diferentes de cancro da pele, 40% de ambos os tipos desapareceram, 30% de um e 20% de outro diminuíram. Os restantes 10% estabilizaram. Os investigadores encapsularam o extrato de chá verde em vesículas que também transportam transferrim, uma proteína que transporta ferro através do sangue. Recetores desta proteína encontram-se de forma abundante em muitos cancros. Uma das autoras, a Dra. Christine Dufès afirma entusiasmada que “estes são resultados muitos encorajadores que esperemos possam abrir caminho para novos e melhores tratamentos de cancro”. Esperemos que sim! Entretanto, podemos começar por beber chá verde com frequência.

Referências:

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9388788

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12845655

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/14618627

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http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11962250

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22891867

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2690394/

http://www.sciencedaily.com/releases/2012/08/120822071433.htm

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