Cancro da próstata: como prevenir?

Convém insistir até que se torne conhecido por todos: a grande maioria de todos os cancros podem ser evitados através de alterações na dieta e hábitos de vida. Muito embora já esteja estabelecido em inúmeros relatórios desde os anos 80 que o cancro se deve a fatores de risco externos que podemos controlar, restando cerca de 5 a 8% de cancros relacionados com causas genéticas, o facto é que ainda não praticamos uma medicina que ponha em prática esta realidade. Sempre que surgem campanhas orientadas para a prevenção de cancro, sobrevaloriza-se a deteção precoce em detrimento da prevenção real modificando aspetos do estilo de vida que podem evitar ou promover a doença. Muito embora a deteção precoce possa significar a diferença entre a vida e a morte para a maior parte dos cancros, em relação ao cancro da próstata nem sempre as coisas são lineares. O teste de PSA (antigénio prostático específico) de forma a detetar um eventual cancro da próstata, ao contrário do que possamos julgar, não representa um teste infalível e nem sequer contribui necessariamente para uma diminuição na mortalidade de cancro da próstata. Um estudo recente mostra que ao longo de 7 a 10 anos, o teste de PSA não diminui a taxa de mortalidade em homens com idades iguais ou superiores a 55 anos. Os resultados do teste podem inclusive ser afetados por razões diferentes da existência de um cancro, tais como infeções, inflamação da próstata ou medicamentos como o ibuprofen, podendo levar a um falso alarme. Por outro lado o teste de PSA não distingue entre os vários tipos de cancro da próstata, podendo levar a tratamentos desnecessários, com as conhecidas consequências para o doente. O facto é que o cancro da próstata é de evolução lenta o que faz com que mais provavelmente se morra com o cancro do que por causa dele.

Um dos principais críticos da utilização excessiva deste teste é o seu próprio descobridor, Richard Ablin, chegando mesmo a compará-lo ao atirar de uma moeda ao ar. O professor e investigador, no entanto, não deixa de assinalar as situações nas quais o teste poderá ser realmente útil e aconselhável: depois do tratamento ao cancro da próstata uma subida rápida nos valores de PSA poderão indicar uma recidiva e homens com um histórico familiar da doença deverão provavelmente fazer o teste regularmente. Richard Ablin deixa no entanto o aviso: o teste não deveria ser utilizado para testar toda a população de homens acima dos 50 anos. Um outro estudo recente desenvolvido na Europa, concluiu após 9 anos de observação, que o teste do PSA nos 182 000 sujeitos observados diminuiu a taxa de mortalidade de cancro da próstata em 20% mas que para se evitar uma morte de cancro da próstata, 48 homens teriam de ser tratados. Com base nestes dados recentes e uma vez que não existe forma de saber se o cancro da próstata é de tipo mais agressivo ou de evolução lenta, a American Cancer Society reviu as suas recomendações, passando a sugerir que se discuta abertamente com o doente os riscos e benefícios de se fazer o teste. A ACS não recomenda o teste a homens sem sintomas que não se espere que viva mais de dez anos. A American College of Preventive Medicine não recomenda testes regulares de PSA por considerar que não existem evidências suficientes dos seus benefícios.

Sendo o cancro da próstata uma doença de evolução lenta, existe uma extensa janela temporal ao longo da qual o estilo de vida tem uma grande influência na eventual progressão da doença. Estudos em pessoas que morreram por causas não relacionadas com cancro mostram que 40% dos homens autopsiados tinham microtumores na próstata. As condições do microambiente em torno dessas células são assim fundamentais para que esses microtumores possam eventualmente ser clinicamente observáveis. Tudo indica que a formação de pequenos tumores acontece frequentemente nos nossos organismos ao longo da vida, mas que na maioria dos casos o crescimento desses tumores é controlado através dos nossos mecanismos naturais que os mantêm sob controlo num estado latente sem consequências para a saúde. Extrapolações a partir de estudos feitos em autópsias sugerem que a maioria dos homens se vivesse mais de 100 anos teria um cancro da próstata.

Durante todo esse tempo que pode levar décadas até se detetar um cancro da próstata, os hábitos alimentares são determinantes para o desenvolvimento da doença. Sendo o cancro da próstata o segundo cancro mais comum nos homens, a sua incidência não é linear nem homogénea entre as várias regiões do mundo. Essas variações dão-nos pistas para o que poderão ser os fatores responsáveis por tais diferenças. Tal como o cancro da mama, o cancro da próstata é maioritariamente mais comum em países desenvolvidos, podendo a sua taxa de incidência ser cerca de 25 vezes superior nestes países em relação aos países de menores rendimentos. As taxas de incidência ajustadas pela idade podem chegar aos mais de 100 casos em cada 100000 habitantes nos EUA contrastando com menos de 10 na maioria da Ásia. Os estudos feitos em populações migratórias apontam para uma forte influência de fatores ambientais no risco do cancro da próstata. Populações que emigraram para os EUA vindos do Japão e da China, com taxas de incidência tradicionalmente muito baixas, viram os números de casos de cancro da próstata aumentar até se aproximarem das taxas de incidência do país de destino em menos de duas gerações. Um estudo mais recente avaliou a incidência de cancro em indianos no seu país de origem e em países para onde emigraram, concluindo que a incidência é maior nestes últimos, sendo a dieta um fator central nessas diferenças.

Hoje existem já disponíveis recomendações gerais para a prevenção do cancro que caso fosses seguidas poderiam ser evitados 30 a 40% de todos os cancros. Os anos 90 seriam impulsionados pelo primeiro relatório da WCRF/AICR no qual o painel afirmava que “está hoje estabelecido que o cancro é principalmente causado por fatores ambientais, dos quais os mais importantes são: o tabaco; a dieta e fatores relacionados com a dieta, incluindo a massa corporal e a atividade física; e exposição por motivos profissionais e outros”. Hoje este relatório vai na sua segunda edição, acrescentado novos dados e fatores de risco associados a cancros específicos e estimando uma média de 30 a 40% de cancros evitáveis através de uma dieta apropriada e exercício físico. De toda a informação acumulada neste documento, o painel resumiu esse conhecimento em 10 recomendações:

Das evidências que existem disponíveis em relação aos fatores de risco associados ao cancro da próstata, todas parecem indicar que uma dieta pobre em gorduras, rica em vegetais e frutos, evitando-se o consumo de alimentos hipercalóricos, carne, produtos lácteos e cálcio, é provavelmente eficaz na prevenção do cancro. Segundo o painel responsável pelo relatório “Food, Nutrition, Physical Activity and the Prevention of Cancer”, as evidências mais consistentes sugerem que alimentos que contêm licopeno ou selénio provavelmente diminuem o risco de cancro da próstata. Por outro lado alimentos com níveis elevados de cálcio são uma causa provável deste cancro.

Quais são alguns dos fatores de risco conhecidos?

  • Carne: De acordo com o relatório da WCRF/AICR, a maior parte dos estudos analisados mostram existir um risco superior de cancro da próstata com o consumo de carnes processadas. Os nitratos utilizados na confeção destes produtos, poderão estar na origem desta relação, uma vez que quando consumidos contribuem para a produção de compostos N-nitroso, possivelmente substâncias cancerígenas. O ferro heme presente na carne vermelha também contribui para a formação de compostos N-nitroso. O ferro livre igualmente presente nestes alimentos pode levar à produção de radicais livres. Um estudo recentemente publicado na revista Carcinogenesis estabeleceu uma relação entre o consumo regular de carnes cozinhadas a altas temperaturas e o risco de cancro da próstata. Os indivíduos que comeram a maior quantidade de carnes vermelhas cozinhadas a altas temperaturas e bem-passadas têm, segundo os resultados do estudo, 30 a 40% mais probabilidades de desenvolver cancro da próstata quando comparados com aqueles que consomem a menor quantidade. Um aumento de risco foi também observado no consumo de aves quando cozinhadas em frigideira. O estudo conclui assim que as aminas heterocíclicas formadas quando se cozinha carne a altas temperaturas podem ter um papel importante na etiologia do cancro da próstata.
  • Leite e produtos lácteos: A maior parte dos estudos disponíveis mostram haver uma relação direta entre o consumo de leite e produtos lácteos e o aumento de risco de cancro da próstata. Uma meta-análise a 18 estudos conclui que o consumo de leite e produtos lácteos aumenta o risco de cancro da próstata. Vários motivos poderão estar na origem desta associação: o consumo elevado de cálcio diminui a formação de 1,25 dihidroxicolecalciferol (vitamina D3) a partir da vitamina D, aumentando assim a proliferação de células na próstata. Outra das possíveis causas poderá ter a ver com o aumento dos níveis de IGF-1 após o consumo de leite. Alguns estudos observaram um aumento de risco de cancro da próstata associado a níveis elevados de IGF-1 no sangue.
  • Cálcio: Uma meta-análise conclui que o consumo elevado de cálcio pode estar associado a um aumento de risco de cancro da próstata. O estudo conclui que em função das várias evidências disponíveis, deverá haver alguma cautela no consumo de laticínios, em particular enter os homens mais idosos. O consumo elevado de cálcio diminui a formação de 1,25 dihidroxicolecalciferol (vitamina D3) a partir da vitamina D, aumentando assim a proliferação de células na próstata.
  • Gorduras saturadas: Alguns estudos sugerem haver uma relação entre o consumo de gorduras saturadas e um risco maior de cancro da próstata.
  • Álcool: Um estudo recente sugere que o consumo de álcool está associado a um risco superior de cancro da próstata. De acordo com os resultados do estudo, aqueles que bebem mais de 7 bebidas por semana têm 21% mais possibilidades de terem cancro da próstata e 34% de terem cancro da próstata de alto risco. Foram avaliados mais de 6700 homens.
  • Índice Glicémico: Um estudo sugere que uma dieta com um índice glicémico elevado pode estar relacionado com um risco superior de cancro da próstata, colo-retal e do pâncreas. Quando comparados os grupos de sujeitos com maior e menor carga glicémica nas suas dietas, aqueles pertencentes ao primeiro apresentam neste estudo 26% maior probabilidade de desenvolver cancro da próstata, 28% maior probabilidade de cancro colo-retal e 41% maior probabilidade de cancro do pâncreas.
  • Obesidade: A obesidade é em si mesmo um fator de risco para vários tipos de cancro. Alguns estudos sugerem que a obesidade está relacionado com um risco superior de cancro da próstata agressivo assim como uma menor probabilidade de sobrevivência.

Para a prevenção deste e de outros cancros as recomendações básicas passam por seguir uma dieta predominantemente feita de produtos de origem vegetal, com poucas gorduras saturadas, pouca carne vermelha e nenhuma carne processada, poucas ou nenhumas bebidas alcoólicas, baixo índice glicémico e alimentos ricos em fibra. As evidências acumulam-se confirmando o papel protetor de milhares de moléculas presentes nos alimentos de origem vegetal. Algumas dessas substâncias são já conhecidas e reconhecidas pelas suas propriedades anticancerígenas. Em relação especificamente ao cancro da próstata temos já algum conhecimento que poderá ajudar na prevenção:

  • Licopeno: O licopeno é um carotenóide presente em alimentos como o tomate e a melancia. Este fitoquímico é o pigmento responsável pela cor vermelha do tomate. As suas propriedades vão para lá da sua ação antioxidante, tendo igualmente um efeito antiproliferativo, reduz o colesterol LDL, melhora a função imunológica e reduz a inflamação. A maior parte dos estudos disponíveis sugerem que um contributo elevado em alimentos ricos em licopeno está associado a um menor risco de cancro da próstata. De acordo com o relatório da WCRF/AICR uma dieta rica em licopeno poderia prevenir cerca de 11% de casos de cancro da próstata nos EUA. Uma meta-análise de 21 estudos conclui que o consumo de licopeno está associado a uma diminuição de risco de cancro da próstata. O licopeno é melhor absorvido a partir de frutos e vegetais que o contêm depois de cozinhados e reduzidos a puré. Quebrar as células do alimento rico em licopeno pelo calor permite uma melhor extração da molécula bom como mudanças na sua estrutura que a tornam mais biodisponível. As gorduras aumentam igualmente a biodisponibilidade do licopeno, pelo que é recomendável cozinhar vegetais como os tomates num pouco de azeite até fazer uma pasta, de forma a melhor aproveitar as suas propriedades.
  • Crucíferas: De uma maneira geral sabemos a partir de vários estudos epidemiológicos que o consumo de crucíferas (família de vegetais da qual fazem parte as couves e os brócolos) está associado a um risco inferior de vários tipos de cancro. Os vegetais crucíferos, assim chamados pelo facto de a flor de cada um deles ter pétalas espaçadas simetricamente em forma de cruz, são uma fonte privilegiada de uma classe específica de fitoquímicos, os glucosinolatos. As substâncias derivadas a partir destes fitoquímicos têm revelado várias propriedades tais como: proteção contra danos no ADN, indução da apoptose, inibição da proliferação de células do cancro da próstata. Várias moléculas derivam dos glucosinolatos, todas com reconhecidas propriedades anticancerígenas: sulforafano, indol-3-carbinol, fenetil isotiocianato, entre outros. Alguns estudos sugerem que o consumo de crucíferas pode estar associado a um risco inferior de cancro da próstata, em particular a forma agressiva deste cancro.
  • Chá Verde: As folhas de chá verde são ricas num certo tipo de polifenóis, as catequinas, sendo estas as grandes responsáveis pelo potencial anticancerígeno do chá verde. A catequina que tem mostrado maior potencial pelas suas propriedades quimiopreventivas é conhecida pelo nome de EGCG ou epigalocatequina-3-galate, muito abundante no chá verde. Alguns estudos sugerem que estas moléculas possam prevenir metástases do cancro da próstata assim como induzir a apoptose e inibir o desenvolvimento do cancro. Mais recentemetnte um estudo sugere que o consumo de chá verde poderá inibir o desenvolvimento do cancro da próstata através da sua ação anti-inflamatória. Aqueles que no estudo consumiram chá verde mostravam uma menor atividade do fator NF-kB.
  • Soja: De acordo com o relatório da WCRF/AICR, embora as evidências ainda não sejam suficientemente convincentes para uma consclusão definitiva, a maior parte dos 10 estudos analisados pelo painel sugerem que um maior consumo de soja está associado a um menor risco de cancro da próstata. A soja é rica em fitoquímicos, especificamente as isoflavonas, que poderão ter várias propriedades anticancerígenas. Em estudos de laboratório as isoflavonas inibem o crescimento de cálulas de cancro da próstata. Um estudo de 6 anos a mais de 12000 homens adventistas nos EUA, revelou que aqueles que bebiam mais leite de soja apresentavam um risco 70% inferior de cancro da próstata quando comparados com aqueles que nunca bebem. Mais recentemente, um estudo com uma amostra de mais de 43000 homens japoneses mostrou que o consumo de alimentos à base de soja está associado a um menor risco de cancro da próstata localizado em homens com idades superiores a 60 anos. Uma meta-análise feita em 2009, onde são avaliados os resultados de 14 estudos diferentes, conclui que o consumo regular de soja reduz em 26% o risco de cancro da próstata. Além da soja, outras leguminosas parecem ter benefícios na prevenção deste cancro.
  • Selénio: O selénio é um elemento essencial em pequenas quantidades. Os humanos precisam de selénio para a função de várias enzimas conhecidas como selenoproteínas. De acordo com o relatório da WCRF/AICR existem evidências suficientes para considerar que alimentos ricos em selénio provavelmente diminuem o risco de cancro da próstata.Deficiência deste elemento na dieta causa uma deficiência de selenoproteínas, as quais têm porpriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. Além disso, as selenoproteínas estão envolvidas na produção de testosterona, a qual tem um papel importante na regulação do crescimento da próstata. O selénio tem igualmente uma ação antiangiogénica, induz a apoptose e é antiproliferativo. Uma meta-análise de 20 estudos epidemiológicos sugere que níveis baixos de selénio estão associados a um maior risco de cancro da próstata. Uma das melhores fontes de selénio é a castanha-do-brasil.
  • Vitamina E: A vitamina E existe em 8 formas diferentes. Cada forma tem propriedades biológicas diferentes, embora todas sejam antioxidantes. Pensa-se que o alfa-tocoferol seja a forma mais ativa de vitamina E. Inibe a proliferação das células, ativa certas enzimas, e controla a expressão de vários genes. A vitamina E poderá ter um efeito direto no crescimento da próstata afetando a concentração celular de testosterona. Segundo a WCRF/AICR existem evidências limitadas de que suplementos de alfa-tocoferol poderá diminuir o risco de cancro da próstata. Oleaginosas, sementes e alguns óleos vegetais são as melhores fontes de vitamina E. Espinafres e nabiças são também boas fontes desta vitamina.
  • Curcumina: A curcumina, fitoquímico presente no açafrão-das-Índias é conhecido pelas suas poderosas propriedades anticancerígenas, nomeadamente a sua ação anti-inflamatória. Um estudo recente sugere que a curcumina poderá ser eficaz na prevenção de cancro da próstata e a inibir a formação de metástases. Para se obter os melhores benefícios desta especiaria, deve ser consumida com pimenta-preta para aumentar a biodisponibilidade.
  • Vitamina D: vários estudos têm sugerido haver um fator protetor na vitamina D em relação a vários cancros. Especificamente a formação de 1,25 dihidroxicolecalciferol (vitamina D3) a partir da vitamina D parece inibir o crescimento de cancro da próstata em modelo animal, além de estes animais apresentarem um número inferior de metástases do pulmão.
  • Flavonóides: Um estudo recente sugere que um contributo elevado de um tipo específico de fitoquímicos, os flavonóides, poderá diminuir o risco de cancro da próstata agressivo. Vários estudos pré-clínicos já haviam mostrado alguns benefícios contra o cancro da próstata, mas poucos  examinaram o efeito de flavonóides em cancros da próstata em humanos. Neste estudo foram avaliados 920 homens afro-americanos e 977 homens de etnia branca, recentemente diagnosticados com cancro da próstata. Aqueles que tinham um consumo mais alto de flavonóides apresentavam um risco 25% inferior de cancro da próstata agressivo quando comparados com aqueles com um consumo inferior de flavonóides. Os flavonóides representam uma família alargada de fitoquímicos subdividida noutras classes tais como os flavonóis, flavonas, catequinas, flavanonas, antocianinas e isoflavonas. Estas moléculas estão distribuídas por vários alimentos diferentes.

E após o diagnóstico? Os efeitos de certos alimentos e alterações de estilo de vida não se limitam à prevenção. Faz aliás parte das recomendações do relatório da WCRF/AICR que sejam seguidas pelos sobreviventes de cancro as mesmas orientações que são dadas para a prevenção. Alguns estudos têm mostrado os seus benefícios mesmo após o diagnóstico de cancro da próstata. De uma maneira geral, a mudança para uma dieta baseada em alimentos de origem vegetal parece representar a melhor medida, tanto na prevenção como na sobrevivência. Alguns exemplos de fatores que poderão ser eficazes a controlar a doença após o diagnóstico:

  • Dietas à base de alimentos de origem vegetal (plant-based diets): Dos cinco estudos que foram realizados para avaliar o efeito de uma dieta à base de vegetais, quatro mostram ser eficazes no controlo do cancro da próstata (1, 2, 3, 4, 5, 6). Há mais de 35 anos que Dean Ornish, membro do Intituto de Pesquisa em Medicina Preventiva, em parceria com a Universidade da Califórnia tem vindo a investigar a relação entre as alterações na dieta e estilo de vida e a saúde. Um desses estudos consistiu em acompanhar 93 doentes de cancro da próstata que participaram voluntariamente num estudo no qual se avaliaram os efeitos de uma alteração da dieta e de estilo de vida no controlo da doença. Durante um ano, 43 participantes fizeram parte do grupo experimental, o qual adotou uma dieta bem planeada com exclusão de produtos de origem animal e baixo consumo de gordura. Além disso, seguiram um programa de exercício físico e gestão do stress. Os doentes do grupo de controlo receberam o tratamento convencional. Ao fim desse ano nenhum dos que faziam parte do grupo experimental necessitaram de tratamento convencional, ao contrário de 6 no grupo de controlo. O Antigéno Específico da Próstata (PSA) diminuiu 4% no primeiro grupo contrastando com um aumento de 6% no segundo, tendo-se observado uma inibição do crescimento das células de cancro da próstata quase 8 vezes superior no grupo experimental quando comparado com o de controlo. Ao fim de dois anos os participantes foram de novo avaliados constatando-se que 13 de 49 (27%) dos pacientes no grupo de controlo e 2 de 43 (5%) do grupo experimental tiveram de dar inicio a tratamentos convencionais (remoção da próstata, radiação e terapia hormonal). O estudo conclui que pacientes com cancro da próstata de estágio inicial optando por uma vigilância ativa, poderão ser capazes que evitar ou adiar tratamento convencional por pelo menos 2 anos fazendo alterações significativas na sua dieta e estilo de vida. As evidências disponíveis sugerem que alterações no estilo de vida incluindo uma dieta vegetariana, exercícios de gestão de stress e diminuição do consumo de gordura poderá ser eficaz a inibir a progressão de cancro da próstata.
  • Licopeno: Um estudo que avalia os efeitos do licopeno em homens com cancro da próstata mostrou que os níveis de IGF-1 e o tamanho do tumor diminuiram no grupo que tomou 30 mg diárias de licopeno quando comparado com o grupo de controlo. Ainda outro estudo observou uma diminuição no dano oxidativo do ADN com o consumo de licopeno na forma de pasta de tomate.
  • Soja: Alguns estudos mostram uma diminuição nos valores do PSA com o consumo de soja enquanto um outro mostrou um aumento da apoptose nas células do tumor.
  • Sementes de Linhaça: Um estudo onde a uma dieta pobre em gorduras acrescentou-se o consumo de sementes de linhaça, observou-se uma redução nos níveis de PSA. As sementes de linhaça são ricas em ácidos-gordos ómega-3 (ALA) e lignanas.

Uma vez mais as evidências apontam a importância da dieta e dos alimentos de origem vegetal na prevenção e controlo do cancro. Embora nem todas as evidências sejam ainda totalmente conclusivas temos já dados suficientes para diminuirmos o risco deste e de outros cancros. Por uma questão de precaução não perdemos nada ao incluirmos estes alimentos de forma regular na nossa dieta. Afinal, os únicos efeitos colaterais que poderemos sentir será uma melhoria de saúde geral e diminuição de risco de muitas outras doenças tais como doenças cardiovasculares e diabetes. A prevenção será de longe sempre a melhor maneira de tratarmos estas doenças, principalmente num tempo que já sabemos que se tratam de doenças diretamente relacionadas com estilo de vida. Algumas instituições já assumem este papel de investir na prevenção e disponibilizam recomendações nesse sentido, como a clínica MAYO:

  • Escolha uma dieta com pouca gordura. Estudos mostram que homens que consomem a maior quantidade de gordura diária têm maior risco de desenvolver cancro da próstata.
  • Alimente-se mais de produtos de origem vegetal do que animal. Estudos sugerem que gorduras animais estão provavelmente associados a um risco superior de cancro da próstata.
  • Aumente o consumo de frutos e vegetais diário. Um estudo em particular avaliou o resultado em voluntários com cancro da próstata que optaram por modificar o estilo de vida e a dieta para uma dieta à base de produtos de origem vegetal. A maior parte desses voluntários evitou o tratamento convencional.
  • Coma peixe. Os benefícios principais têm que ver com o consumo de ácidos-gordos omega-3. Algumas fontes vegetais de omega-3 são a linhaça moída e a chia. Convém reduzir o consumo de ácidos-gordos omega-6 de forma a permitir uma melhor conversão dos omega-3 de cadeia curta (ALA) em omegas-3 de cadeia longa (EPA e DHA).
  • Beba chá-verde. Estudos mostram que os homens que bebem regularmente chá verde têm menor risco de desenvolver cancro da próstata.
  • Consuma Soja. Dietas com produtos de soja (tofu, miso, leite de soja, edamame) estão relaionados com menores incidências de cancro da próstata. O seu efeito benéfico pode estar relacionado com a presença de isoflavonas que interferem com o metabolismo das hormonas sexuais masculinas e femininas.
  • Evite bebidas alcoólicas. Alguns estudos sugerem que possa haver uma associação entre o consumo de álcool e o cancro da próstata. Não consumir mais do que 1 ou 2 bebidas diárias.

A mensagem parece ser sempre a mesma: invista nos frutos e vegetais (principalmente aqueles com melhores propriedades anticancerígenas) e diminua o consumo de gorduras e produtos de origem animal. Junte-se a isso estratégias de gestão de stress e temos uma boa receita para evitar este e outros cancros.

Tratamento:

No que diz respeito à evolução dos tratamentos disponíveis para o cancro da próstata, dos vários estudos clínicos atualmente em curso para avaliar a eficácia dos tratamentos com vacinas de cancro, o único até à data que foi aprovado para uso nos pacientes foi uma vacina para o tratamento justamente do cancro da próstata. Trata-se da Provenge, usada no tratamento de cancro da próstata em estado avançado, disponível nos Estados Unidos.

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