Substâncias presentes nas carnes e peixe podem aumentar o risco de cancro da mama e de metástases

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O uso do calor para aquecer e cozinhar os alimentos torna-os mais agradáveis para o consumo, mas como contrapartida quando utilizado em excesso produz uma série de substâncias conhecidas por serem tóxicas e cancerígenas. De facto, o ato de pedir um bife bem passado ou uma asa de frango grelhada traz consigo uma série de riscos para vários tipos de cancro.

formation-of-HCA-with-heatQuando as carnes dos músculos destes animais é exposta a temperaturas altas, formam-se dois tipos de compostos altamente cancerígenos chamados aminas heterocíclicas (HCA) e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAH). Isto resulta do contacto da carne (ou do peixe) com uma chama (como nos churrascos) ou superfícies muito aquecidas.

Cozinhar estes alimentos a grandes temperaturas faz com os seus aminoácidos e a creatina (presente nas fibras musculares e cérebro) reajam e formem aminas heterocíclicas. Até agora 17 diferentes aminas foram identificadas que podem representar um risco de cancro. A temperatura é o fator mais importante para a formação destes químicos. Fritar, grelhar e grelhar a carvão produzem as quantidades maiores por usarem temperaturas muito altas. Cozinhar no forno corresponde a uma concentração inferior de HCAs. Os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos correspondem a um grupo de mais de 100 químicos diferentes formados quando alimentos tais como carnes ou peixes são grelhados sobre uma chama, o que resulta em gordura a escorrer para o fogo. Esta gordura em contacto com a chama vai libertar PAHs, que se fixam na superfície do alimento. Quanto mais quente for a fonte de calor, maior o nível de contaminação.

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Das aminas heterocíclicas aromáticas mutagénicas e carcinogénicas, a PhIP (2-Amino-1-metil-6-fenil-imidazo[4,5-b]piridina) é uma das mais importantes pelos seus efeitos nocivos. Além de se encontrar na carne vermelha, de aves e no peixe bem passados, encontra-se igualmente no fumo do tabaco e nos gases de combustão dos automóveis. A PhIP foi classificada pelo National Toxicology Program do Departamento de Saúde dos EUA como provavelmente cancerígena em humanos. A IARC, organismo pertencente à OMS classifica-a como substância cancerígena do Grupo 2B.

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Alguns estudos têm mostrado haver uma relação entre a presença desta substância nos alimentos e o cancro da mama. Já se sabia que as aminas heterocíclicas apresentam efeitos mutagénicos, capazes de danificar o ADN. Um estudo observou existir uma relação direta entre o consumo de carnes bem passadas, fritas e processadas e um índice superior de adutos no ADN do tecido mamário de mulheres que foram submetidas a cirurgia, ou seja, quanto mais destes alimentos forem consumidos mais danos são observados no ADN do tecido mamário, aumentando assim o risco de cancro.

phip prolifEmbora já se conheçam os efeitos cancerígenos destas substâncias na fase da iniciação ao produzirem mutações pré-cancerígenas no ADN das células, sabe-se agora que podem também promover o desenvolvimento do cancro da mama, tornando-o mais agressivo. Isso deve-se aos efeitos estrogénicos apresentados pela PhIP. Em modelos animais e de laboratório, esta amina mostrou ativar os recetores de estrogénio em células mamárias promovendo a sua proliferação, mesmo em quantidades reduzidas. De facto, os efeitos proliferativos do PhIP é quase equivalente em potência ao estradiol neste tipo de células. O estudo conclui que os efeitos estrogénicos associados aos seus efeitos mutagénicos podem em conjunto contribuir para o elevado risco desta substância para o cancro da mama.

Estudos recentes sugerem que o PhIP pode promover o desenvolvimento do cancro nas suas 3 principais fases: Iniciação, Promoção e Progressão. A acrescentar-se às suas propriedades mutagénicas e estrogénicas, um estudo sugere que esta amina é capaz de tornar as células de cancro da mama mais agressivas e com maiores probabilidades de criar metástases. Considerando que as metástases são as verdadeiras responsáveis pela dificuldade de tratamento do cancro, esta informação pode ser importante como forma de prevenção e controlo da doença. Embora estes estudos estejam ainda limitados a uma observação in vitro, podem já estimular uma medida de precaução evitando produtos que contenham aminas heterocíclicas.

Kulp3A presença desta amina, por estar relacionado com o consumo de carnes cozinhadas em temperaturas elevadas, é praticamente ausente em indivíduos que consumam predominantemente produtos de origem vegetal, o que poderá representar uma medida preventiva em relação à exposição a esta substância. Além disso, ao centrarmos a nossa dieta em produtos vegetais, não só evitamos substâncias perigosas que promovem o cancro, como ingerimos muitas outras com o efeito contrário por serem quimiopreventivas.

 

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Referências:

http://cancerres.aacrjournals.org/content/55/20/4516.full.pdf

http://ntp.niehs.nih.gov/ntp/roc/twelfth/profiles/HeterocyclicAmines.pdf

http://www.inchem.org/documents/iarc/vol56/08-phip.html

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17435448

http://mutage.oxfordjournals.org/content/24/2/127.long

http://carcin.oxfordjournals.org/content/25/12/2509.long

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20951759

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15777097

http://jnci.oxfordjournals.org/content/92/16/1352.long

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